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Publicado em 26 de maio de 2026 | 6 minutos de leitura

IA desafia escolas a repensar o futuro da educação

A IA vem transformando o ambiente educacional muito mais do que o esperado. Hoje, escolas e diferentes instituições de ensino estão tendo que se readaptar, junto aos professores, alunos e pais, para entender quais são os desafios e as oportunidades que a inteligência artificial traz, e que tipos de competências e habilidades precisam estar no radar dos educadores para a formação dos futuros profissionais para o mercado de trabalho.

Atento a essas inovações, o SinepeRio reuniu diretores e mantenedores de escolas associadas e não associadas para um debate sobre o uso da IA de forma consciente, estratégica, intencional e, principalmente, responsável.

O Encontro de Gestores: Inteligência Artificial e Práticas Educacionais aconteceu na manhã do último sábado, 23/05, no Colégio Mopi, no Itanhangá. Dividido em três momentos, o primeiro abriu com uma mesa-redonda de contextualização sobre IA, mediada pelo Diretor Vinicius Canedo e pelo do jornalista e Coordenador de Inteligência Artificial e Educação, José Brito, ambos do Mopi, ao lado da Coordenadora de Novas Tecnologias e IA da TV Globo, Priscila Ariel, que trouxe a visão de quem já está no mercado atuando com diferentes ferramentas de IA.

“Quando a gente fala de competências digitais, estamos falando também de acesso à informação. O repertório cultural, o acesso à leitura e à ciência são pilares fundamentais para a formação de um indivíduo, e não é a tecnologia que vai mudar isso. Ela traz meios, automação e inteligência, mas o foco continua nas competências de aprendizagem”, reforçou Brito.

De acordo com Priscila Ariel, “O profissional que antes era especialista agora é generalista. Ou seja, antes várias áreas do mercado eram segmentadas. Com a chegada da IA, esse processo se tornou mais acelerado, suprindo algumas demandas manuais. Isso não significa dizer que a IA vai substituir as profissões, mas sim criar outras novas”.

O segundo momento foi marcado pela apresentação de modelos de IA que algumas escolas já estão implementando em diferentes áreas, como, por exemplo, adaptação de provas, interação entre os alunos, acompanhamento pedagógico, entre outros.

Rafael Oliveira, CEO da 1pra5, provocou os participantes com as seguintes questões: “Como gerar inteligência da escola utilizando IA? E de que forma esse processo pode se estender para além da sala de aula?”

Nesses casos, Rafael explica que a inteligência artificial passa a ter acesso a todo o histórico da instituição, funcionando como uma governança pedagógica, até chegar a um plano de aula. A proposta é que o professor tenha em mãos não apenas um planejamento, mas também comentários e análises de outros profissionais, além de possíveis alterações, em tempo real, daquele plano, gerando ainda mais riqueza de informações e dados.

O Coordenador de Educação Tecnológica do Colégio Andrews, Anderson Sobreira, e o Coordenador de Tecnologia Educacional da Our Lady of Mercy School, Vinicius Aragão, também falaram sobre as experiências e os aprendizados durante a implementação de IA em suas respectivas instituições.

“Foram várias etapas durante a implementação de IA no Andrews. A primeira delas foi o empoderamento do professor; a segunda, a criação de um código de ética e dos limites de como cada um pode utilizar as ferramentas; e, por último, o desenvolvimento de uma política de uso”, explicou Anderson.

Para Vinicius Aragão, “O primeiro desafio que tivemos foi do ponto de vista jurídico: como implementar a IA de forma segura com professores e alunos. O segundo foi guiar os estudantes para utilizarem as ferramentas com ética e sabedoria, e não para burlar o processo de aprendizagem”, destacou.

Todo o conteúdo apresentado pelos profissionais deixou de ser teoria e se transformou em prática no terceiro e último momento do encontro, quando os participantes puderam ter contato direto com algumas ferramentas de IA e aprender como aplicá-las no dia a dia.

“O nosso principal objetivo foi iniciar um senso de comunidade. Num momento em que temos muitas dúvidas e poucas certezas pela frente, entendemos que os educadores precisam se unir. E foi exatamente isso que o Sinepe fez: reuniu quem faz a educação para entender quais boas práticas em IA já estão acontecendo e como podemos nos preparar”, pontuou Vinicius Canedo.

Também participaram do evento o Presidente e a Diretora de Eventos do SinepeRio, Frederico Venturini e Bruna Bahiense.

“A inteligência artificial não substitui o educador, mas desafia toda a educação a evoluir. O que vimos neste encontro foi exatamente isso: escolas dispostas a aprender juntas, trocar experiências e construir, com responsabilidade e propósito, os caminhos da educação do futuro. O SinepeRio seguirá promovendo esse diálogo e fortalecendo quem está na linha de frente da formação das próximas gerações”, afirmou Venturini.


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